domingo, 26 de setembro de 2010

No balanço do tempo.

               Era uma tarde qualquer, de outono. Sem nada pra fazer, eu queria algo de interessante mas a tarde era tão nostálgica que a melhor das praias se tornaria chata, ja não aguentava mais tanto nada, fui dar uma volta pelo sitio a cavalo enquanto pensava- sim, eu estava montada num cavalo, pensando-, relembrando sentei ao lado de uma árvore com folhas um tanto avermelhadas havia um balanço ao lado dela, me sentei nele e começei a me balançar, relembrando uma infancia tão cheia de historias, sorrisos e amigos. E no momento tive vontade de voltar no tempo estranhamente eu me vi sentada ao lado de uma pessoa, reconheci a cena com um pouco de medo era uma pequena criança que puxava sua mãe para comprar um doce numa pequena lojinha que havia ao atravessar a rua -eu reconhecera a cena brevemente e logo depois uma lagrima quente rolou do meu rosto esquentando-me, um arrepio de repente, me fez sentir medo, a cena era estranhamente familiar-, até que eu pude ver finalmente o rosto da mulher com cabelos escuros contrastando seus olhos mel, essa fora a noite em qual vi minha mãe morrer o torpor e a culpa me fizeram sentir estranhamente repugnante, durante anos ouvi pessoas dizendo que eu matei minha mãe, nesse momento, a menina a puchou pela mão a dizendo:- Vamos eu quero bala, vamos mamãe, vamos. O choro da menina fora tão convencente que sua mãe cedeu a tentação de lhe acompanha-la, a menina saiu correndo para atravessar a rua, logo que sua mãe a viu correndo fora atrás,sua mãe correu atras dela a chamando pelo nome:-Victoria.- Ela gritou minutos antes de ser atropelada por caminhão dirigido por um bebado-. Victoria, gritava e chorava pedindo que alguem socorresse sua mãe, a rua estava deserta, exceto pelos vendedores ambulantes que ficaram parados apenas observando a tragica cena, a menina com uma expressão fragil, sentou-se ao lado de sua mãe chorando e desejando que tudo aquilo fosse apenas um pesadelo, dava pra ver em seus olhos que ela se culpava pela tragica morte de sua mãe, de repente dei-me conta de que estava ajoelhada e gritava como se a culpa fosse minha aquela era a cena da morte de minha mãe senti alguem me tocar a brisa estava leve como o luar e gelada como a noite estava com medo de que aquele toque não fosse apenas a brisa prostrei-me sem muito medo do que poderia ser esse toque me passou tranquilidade e leveza me sentia novamente aquela criança antes da morte de minha mãe sem culpas, essa pessoa sem mostrar o rosto sentou-se ao meu lado e com uma voz suave, disse:-talvez fosse apenas um versiculo Biblico que passava por minha memória- "Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça." (Isaías 41:10) o que estava sentindo era uma paz tão grande que não consiguia me manter de pé, olhei para o lado as vestes brancas eram reluzantes como o brilho do ouro, levantei-me e vi meu pai cavalgando aos arredores assim que ele me viu ajoelhada com uma expressão tão cheia de paz e com um vago sorriso de alegria ele acenou e parou perto de mim veio caminhando em minha direção e me abroçou forte como se ele estivesse sentindo que havia me perdido por um instante e agora ele poderia voltar a ser o meu pai.